quarta-feira, 22 de abril de 2009

Suspiro

Sim, eu gostaria de pisar na terra com os pés descalços, tomar chuva, dormir no escuro, mata adentro. Caçar, pescar, colher frutos e oferecê-los... oferecer bons frutos a quem não tem condições de pegá-los. Porém fui educado. A tomar banho diariamente, ir à igreja rezar orações decoradas, calçar sapatos, passar raiva. E além de tudo ser obrigado a pensar que está tudo bem.

Numa cultura em que papéis, com rostos e números, podem valer até mais do que se pensa valer absurdo, assim vivo, eu acho... pelo menos acho que me divirto. Conforto não me falta, pelo menos quando não penso em quem não tem (e já estou acostumado a isso). E, sair deste conforto? "Jamais, não, nunca. Para ser jogado na fogueira?" Línguas que ardem e te sufocam, que substituiram as fogueiras medievais, por serem mais eficazes. Queimam de dentro pra fora. Atacam o psicológico a tal ponto que chega a refletir pelo lado externo. E ardem, de acordo com a cultura a que lhes foi aplicada. Cultura que expande e delimita o conhecimento da massa, de acordo com o que os papéis verdes ditam e desejam. Cultura... que me impõe a tomar banho, e que também faz com que todos sejam o que são hoje. Depois dela nunca mais existiram anjos ou demônios, em estado puro. Todos são mesclados.

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