
Estive afastado deste meu refúgio. É que encontrei algum ainda mais secreto, por acaso, enquanto caminhava por uma floresta escura, assombrada pelas mais mesquinhas e atrasadas almas.
Logo que cheguei nesse refúgio reparei em um lago. Então parei à sua margem e, ao estender minhas mãos, percebi que sua água não apenas me refletia. Nela, eu via também todo o meu conhecimento, minhas qualidades e defeitos, e, além disso, todas as minhas opiniões, sobre tudo e todos... e estavam todas deturpadas por opiniões alheias, por espíritos alheios. Espíritos, que os olhos normalmente não vêem, mas que afetam sua mente e coração, contradizendo o velho ditado. E percebi que já não era mais eu.
Então parei. Olhei para o vazio. Era algo atormentador. Tanto que minhas opiniões se calaram... eu me calei... os espíritos da floresta se calaram. O silêncio era tamanho que eu já era capaz de ouvir o levíssimo movimento das águas do lago. Era um convite. Não pensei duas vezes. Nem sequer pensei. Mergulhei. Talvez naquele momento eu tivesse cometido o meu maior erro: suas águas ardiam, assim como os mais letais dos ácidos, parecendo corroer até os ossos, enquanto de dentro da água eu ouvia os gritos desesperados e eufóricos dos espíritos da floresta, como se eles se alimentassem de qualquer desgraça alheia. Aquilo parecia não acabar, até que o ardor ácido passou, junto com a gritaria. "Estou morto?", pensava. Tudo parecia uma eternidade, como se até o próprio tempo houvesse me abandonado. Uma pausa quase que eterna...
Enfim, senti minhas costas tocarem no fundo do lago. Meus olhos se abriram e eu via uma luz, acima da água. Naquela hora eu já não tinha mais objetivo nenhum, estava exausto demais, mas aquela luz parecia oferecer algo maior do que tudo o que já havia até então conquistado. Nadei para cima, com o restante de fôlego que havia me sobrado até chegar à superfície. Ao chegar, não havia nada. Aquilo me causou certa decepção. Então saí da água. Estava frio. Pensei em voltar ao lago, que já não queimava mais. Então, ao encarar a superfície do lago novamente, uma grande surpresa. A imagem refletida já não era a de antes, eu já me enxergava muito bem, havia me reconhecido novamente. Um novo eu. O velho eu... Eu voltei.
2 opiniões expressas:
muito bom, belas metaforas.
Ae mano!!
Vc ta fazendo o curso errado na facul!!
Vai pra literatura ou filosofia!
Muito loko oq vc escreve em mano!
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