
Enfim, o mundo não havia acabado, conforme prometido. Outro motivo para aproveitar ainda mais aquele verão. Ele, após folhear umas anotações um tanto remotas, resolve enfim cumprir o que prometeu há mais de três anos. Afinal, o que ele tinha a perder? Tudo o que ele possuía era um carro usado, algum conhecimento e 22 anos... não pensou duas vezes: pegou duas mochilas, uma com roupas e outra com algumas tralhas digitais, além de um baralho e alguns CD's para sonorizar a viagem. O destino devia ser especial, por isso precisava ser planejado, mas não sabia decidir entre o litoral nordestino e o interior goiano, ambos lugares que prometera visitar, e que talvez as pessoas a quem ele prometera talvez até tinham se esquecido. Se optasse pelos dois, poderia levar mais do que seu tempo de férias do trabalho. Mas, pensando bem, quem se importa? Aquele emprego já não parecia grande coisa e também não havia problemas em trancar mais um ano de seu curso superior. Tudo o que ele queria era tomar um ar, dar uma de vagal de novo, porém, dessa vez, longe de casa e de quaisquer lugares aos quais ele se sentia preso. Finalmente, com tudo planejado, resolveu passar uma última noite em casa.
Logo pela manhã foi ao banheiro e, com o intuito de livrar-se de todo peso da mente, não apenas barbeou-se como também raspou todo o cabelo. Desejava começar tudo do nada, fazer coisas novas sem levar qualquer bagagem emocional. Tomou seu café, colocou suas coisas no carro, vestiu sua roupa mais confortável... olhou-se no espelho, encheu seus pulmões ao máximo. Mesmo com algum receio por nunca ter viajado sozinho, decidiu que era a hora de seguir. Despediu-se dos pais e da irmã, e, para o conforto da mãe, prometeu voltar. Abriu o portão, deu a partida e se foi... Ainda antes de sair da cidade, muniu-se de mapas e guias turísticos, além de umas porcarias. Por fim, seguiu para a estrada, com seu CD favorito tocando, um sentimento bom e um brilho no olhar. Já sabia por onde começar.
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